Estudo veterinário mostra como a suplementação para cães com ômega 3 pode contribuir para a mobilidade e a nutrição dos animais.
A alimentação exerce um papel fundamental na saúde, na disposição e na qualidade de vida dos animais.
Entretanto, mesmo quando o cachorro recebe uma ração completa, determinadas fases da vida ou necessidades nutricionais específicas podem justificar uma avaliação mais cuidadosa da dieta.
É nesse contexto que a suplementação para cães ganha espaço.
O objetivo de um suplemento não deve ser substituir a alimentação, mas complementar a ingestão de determinados nutrientes de maneira direcionada e responsável.
Um estudo científico conduzido pelo médico-veterinário James K. Roush e sua equipe avaliou os efeitos da suplementação alimentar com óleo de peixe, fonte de ácidos graxos ômega 3, em cães diagnosticados com osteoartrite. Os resultados ajudam a compreender por que a nutrição complementar deve ser analisada com base em evidências e de acordo com as características de cada animal.
O pesquisador principal foi o médico-veterinário James K. Roush, DVM, MS e especialista certificado em cirurgia veterinária pelo American College of Veterinary Surgeons. Ele atua como professor de Cirurgia de Pequenos Animais na Faculdade de Medicina Veterinária da Kansas State University, nos Estados Unidos. Kansas State University
O estudo foi desenvolvido em conjunto com outros pesquisadores e profissionais ligados à medicina veterinária e à nutrição animal.
A pesquisa foi publicada em janeiro de 2010 no Journal of the American Veterinary Medical Association, uma publicação científica da Associação Americana de Medicina Veterinária.
O trabalho recebeu o título “Evaluation of the effects of dietary supplementation with fish oil omega-3 fatty acids on weight bearing in dogs with osteoarthritis”, que pode ser traduzido como “Avaliação dos efeitos da suplementação alimentar com ácidos graxos ômega 3 provenientes de óleo de peixe sobre o apoio de peso em cães com osteoartrite”.
A pesquisa foi estruturada como um estudo clínico randomizado, controlado e duplo-cego. Isso significa que os cães foram distribuídos aleatoriamente entre os grupos e que, durante a avaliação, os responsáveis e os pesquisadores não sabiam quais animais estavam recebendo cada alimentação.
Participaram do estudo 38 cães com osteoartrite, atendidos em duas clínicas veterinárias universitárias. Os animais foram divididos em dois grupos:
Os pesquisadores avaliaram os animais antes do início da pesquisa e novamente depois de 45 e 90 dias. Entre os critérios analisados estavam a avaliação ortopédica, a capacidade de apoio do membro mais afetado e as observações feitas pelos tutores sobre os sinais apresentados pelos cães.
Esse tipo de metodologia torna os resultados mais consistentes do que relatos isolados, depoimentos de consumidores ou percepções sem um grupo de comparação.
Após 90 dias, o grupo que recebeu a alimentação enriquecida com óleo de peixe apresentou aumento médio de 5,6% na força vertical máxima exercida pelo membro avaliado. No grupo de controle, a variação foi de apenas 0,4%.
A melhora desse parâmetro foi identificada em 82% dos cães que receberam a dieta com ômega 3. Entre os animais do grupo de controle, o percentual foi de 38%.
Os pesquisadores também observaram mudanças positivas nas avaliações relacionadas à claudicação e ao apoio de peso nos cães que consumiram o alimento suplementado.
De acordo com os autores, os resultados indicaram que a suplementação alimentar com ácidos graxos ômega 3 provenientes do óleo de peixe contribuiu, no curto prazo, para a melhora do apoio de peso dos cães participantes.
É importante destacar que o estudo avaliou animais com osteoartrite. Portanto, seus resultados não significam que o ômega 3 produzirá exatamente os mesmos efeitos em todos os cães.
A pesquisa completa está registrada no PubMed, base científica da National Library of Medicine.
A principal conclusão não é que todos os animais precisam receber suplementos. O estudo demonstra que nutrientes específicos, oferecidos em uma formulação e quantidade adequadas, podem exercer funções relevantes em determinadas condições.
A suplementação para cães deve ter uma finalidade nutricional clara. Antes de escolher um produto, é necessário considerar fatores como:
Comprar um produto apenas porque determinado nutriente está em alta pode gerar gastos desnecessários e até uma ingestão nutricional inadequada. Mais nutrientes não significam automaticamente mais benefícios.
Os ácidos graxos ômega 3 são gorduras que participam de diferentes processos do organismo. Entre os componentes mais estudados estão o EPA, ou ácido eicosapentaenoico, e o DHA, chamado ácido docosa-hexaenoico.
Uma revisão publicada pelo médico-veterinário John E. Bauer, do Departamento de Ciências Clínicas de Pequenos Animais da Texas A&M University, explica que os ácidos graxos ômega 3 de cadeia longa podem modificar respostas inflamatórias e imunológicas nos cães.
O pesquisador também aborda sua relação com pele, pelagem e desenvolvimento neurológico dos filhotes. Consulte a revisão no PubMed.
Isso não transforma o ômega 3 em medicamento ou em solução isolada para problemas de saúde. Ele continua sendo um nutriente, e sua utilização precisa respeitar a procedência, a concentração, a alimentação do animal e a quantidade recomendada.
Não. Uma ração completa e balanceada deve fornecer os nutrientes necessários para a manutenção de cães saudáveis dentro da fase de vida indicada no produto.
A suplementação para cães pode ser considerada quando existe uma necessidade nutricional específica, uma recomendação profissional ou o objetivo de complementar determinados nutrientes. Filhotes, cães idosos, animais com rotina intensa ou cachorros com necessidades particulares podem demandar avaliações diferentes.
Também é preciso evitar a combinação descontrolada de vários produtos. Dois suplementos distintos podem apresentar vitaminas, minerais ou outros nutrientes em comum, aumentando a ingestão total sem que o tutor perceba.
Até mesmo o ômega 3 exige cuidado.
Uma revisão científica sobre seus possíveis efeitos adversos em cães e gatos menciona alterações gastrointestinais, ganho de peso, interação com medicamentos e ingestão excessiva entre os riscos possíveis. A revisão está disponível no PubMed.
Para avaliar um suplemento pet, observe primeiro sua composição. Expressões genéricas como “rico em nutrientes” não são suficientes para comparar produtos.
Verifique quais nutrientes estão presentes, qual é a concentração, quanto deve ser oferecido por dia e por quanto tempo a embalagem deverá durar. Também confirme se a indicação é compatível com a idade e o peso do animal.
Uma escolha responsável deve considerar:
O custo do pote isoladamente pode enganar. A comparação mais correta é feita pelo custo diário de uso, pela concentração dos nutrientes e pela adequação do produto ao objetivo nutricional.
O estudo liderado pelo médico-veterinário James K. Roush fornece uma evidência importante sobre o uso nutricional do ômega 3 em cães com osteoartrite. Durante 90 dias, os animais que receberam a alimentação enriquecida com óleo de peixe apresentaram resultados superiores em determinados parâmetros de apoio de peso quando comparados ao grupo de controle.
A pesquisa reforça que a suplementação para cães pode contribuir para a nutrição quando existe um objetivo bem definido. Porém, o benefício depende da escolha do nutriente, da concentração, da quantidade administrada e das características individuais do cachorro.
Suplementar de maneira responsável não significa oferecer o maior número possível de produtos. Significa identificar uma necessidade, avaliar a composição e escolher a alternativa mais adequada para cada animal.
Aviso: Este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo. Suplementos não substituem alimentação equilibrada, diagnóstico, tratamento ou acompanhamento realizado por médico-veterinário.
Roush, J. K. et al. Evaluation of the effects of dietary supplementation with fish oil omega-3 fatty acids on weight bearing in dogs with osteoarthritis. Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 236, n. 1, p. 67–73, 2010. DOI: 10.2460/javma.236.1.67.
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